Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente

25

de
maio

Uma história de desmatamento.

Olá amigos.
Falarei sobre sustentabilidade sem ser acadêmico.
De bons artigos acadêmicos a web está cheia. E são eles umas das minhas fontes de pesquisa.
Mas meu objetivo é tratar de temas ligados à sustentabilidade com uma roupagem menos formal e mais intimista.
Quero despertar vocês, amigos leitores, para batermos um papo sobre esse assunto.
Desenvolvermos um diálogo semanal com sugestões de temas, perguntas e, quem sabe, respostas.
Os bons relacionamentos deveriam sempre começar com um sorriso, uma flor, uma poesia.
E hoje começamos um novo relacionamento.
Um flerte, um namoro,
E, se Deus permitir, um eterno casamento.
Sou daqueles que acredita na pureza do homem.
Sou um sonhador. Insisto em ter esperança.
Procuro a intenção por trás da ação.
Assim consigo entender um pouco das coisas que andam fazendo por aí.
Na verdade, algumas besteiras humanas.
Quando sou confrontado com situações que apresentam a violação das perfeitas leis que o Criador usou para o ordenamento do nosso planeta, percebo uma imediata alteração no funcionamento do meu corpo. Começo a inquietar-me. Creio que seja uma provocação Divina ou uma nova oportunidade de atuação, mesmo que indiretamente, na manutenção do equilíbrio planetário.
Nestas situações, a primeira palavra que me vem à mente, aparece sob a forma de uma pergunta: por quê?
Isso desencadeia uma série de reflexões. Reflexões atrás de reflexões.
Descobrir a intenção por trás da ação.
Minha mente entra em um estado de vigília e de curiosidade que somente cessa após uma boa leitura; algumas linhas ou páginas escritas - ou reescritas.
Outro dia estava olhando uma foto em uma revista antiga. Era um senhor, de aparentes 60 anos, empunhando uma motosserra ao lado de uma árvore tombada. Suas roupas estavam em trapos e seu corpo suado indicava que suas energias foram bastante exigidas para desempenhar seu trabalho.
O diâmetro do tronco era maior do que o cidadão o que me fez inferir tratar-se da derrubada de mais uma árvore na floresta amazônica.
Porque ele havia cortado esta árvore?
Para abastecer o fogão à lenha da sua casa?
Será que ele pretendia construir para si uma casa super legal, todinha de madeira, com varanda em todas as laterais? Pouco provável.
Esse homem, provavelmente, deveria ser mais um brasileiro, vivendo em cabanas feitas de galhos e folhas de árvores, dormindo em redes, com pouca alimentação e sem salário. Deve ser mais um brasileiro cooptado por algum capitão-do-mato a mando de proprietários de serrarias clandestinas amazônicas.
Posso até imaginar ele chegando na cabana comunitária ao final do dia, cansado e faminto.  Vejo-o colocando uma lata com água na fogueira para esquentar um pouco e, assim, relaxar seus músculos doloridos com um bom banho.
Agora, mais relaxado e limpo, ele prepara uma sopa feita com carne de macaco e mandioca.
Aí ele senta em um tronco e, juntamente com seus parceiros de labuta, saboreia a única refeição quente de todo o dia, enquanto ouve as notícias em um radinho à pilha.
Todos comem sem trocar nenhuma palavra.
- Já são 8 horas. A voz do Brasil já terminou. Vou desligar o radinho. Até amanhã, pessoal. Diz o homem da motosserra aos demais.
Assim termina mais um dia como centenas de outros dias dos escravos dos madeireiros paraenses.
E um novo dia começa logo.
-Será que nossas preces foram ouvidas? Pergunta o homem da motosserra ao encarregado da turma.
Pelas informações que circulam pelas comunidades próximas, os fiscais estão chegando cada vez mais perto dali. Isso pode significar a libertação de todos e a volta para casa. A esperança de que esta foi a última noite na floresta volta a povoar a mente e os corações dos escravos amazônicos. A ansiedade é geral.
E assim que a primeira motosserra é ligada eles aparecem do nada.
Os bravos fiscais do IBAMA e da Polícia Federal chegam de surpresa e conseguem prender o capitão-do-mato.
Todos os trabalhadores são cadastrados e ouvidos pelos representantes do Ministério Público. Recebem alimentação e roupas novas.
Antes de embarcarem nas voadeiras com destino às suas casas, um último olhar para a clareira que abriram na floresta contra suas próprias vontades. Todos são libertados.
A partir do depoimento do capitão-do-mato, mais três madeireiras são fechadas no Estado do Pará.
A madeira cortada será recolhida nos próximos dias e utilizada na construção de instalações para o Exército e escolas na região.
Mas acabou?
Não!
O dono das madeireiras já está desenvolvendo suas atividades em outra região da Amazônia brasileira, com outros escravos. Até o dia em que, novamente, policiais e fiscais federais descubram a sua localização e repitam a mesma operação.
E isso pode acontecer muitas vezes.  Quem já esteve por lá sabe que a Amazônia é imensa e a presença do Estado praticamente inexiste.
A esperança de todos nós, que desejamos um planeta ambientalmente viável para nossos descendentes, é que essa história passe a fazer parte apenas dos livros escolares.
Que seja apenas o registro de um tempo muito triste.
Um tempo em que o homem não sabia que, para sobreviver, dependia dos serviços ambientais fornecidos gratuitamente pelos diversos biomas da Terra.
Que nossos representantes atentem para a gravidade da questão do desmatamento na Amazônia e a urgência de suas atuações políticas no sentido de reverter esse quadro.
Nosso próximo assunto será o aquecimento global e sua relação com nossos hábitos domésticos. Um abraço e até lá.
Ézio Eustáquio Ferreira-ezioeferreira@yahoo.com.br

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