22
de
junho
DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE
Não tenho dificuldade alguma em declarar-me um eterno ignorante quando o assunto é relacionado ao meio ambiente.
Fico sempre com a certeza de que todo o esforço humano pela busca do conhecimento, por maior que seja, será insuficiente para termos claramente uma idéia mais próxima da realidade sobre o quão significativos são os efeitos negativos das atividades humanas sobre os ecossistemas.
Esta impossibilidade de conhecimento deriva da velocidade com a qual são processadas as intervenções humanas. Como um exemplo desta velocidade, temos o desmatamento da Amazônia que é medido em “campos de futebol por minuto”. Coisa de louco!
Mas uma coisa é certa: o homem já modificou a paisagem natural suficientemente para que sua a presença e a sua capacidade de intervenção jamais sejam desconsideradas como um fato histórico incontestável por qualquer ser inteligente que venha a contemplar nossa superfície planetária no futuro.
Neste mês de junho, no dia 05, comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma data na qual podemos perceber uma alteração nos motes das propagandas dos outdoors das nossas cidades. Deveria ser um motivo para comemorarmos o despertar da consciência humana para a importância de desenvolver-se sustentavelmente. Mas, não.
A mudança da intenção publicitária faz parte da mesma regra de mercado que infesta esses painéis de casais de namorados, ou de mães, ou de pais, ou de velhinhos com roupa vermelha e barba branca, dependendo da época do ano.
Nada mais do que uma publicidade (muitas vezes enganosa!) das atividades desenvolvidas pelas organizações, que atestam o seu comprometimento com a questão ambiental.
Até o final do mês veremos alguns sinais deste tipo de divulgação.
A partir do próximo mês, nada.
E assim mais um ano será encerrado, com mais árvores cortadas, mais buracos feitos para extrair mais e mais minério e o planeta continuou seu processo de aquecimento descompensado.
Até quando os grandes projetos desenvolvimentistas continuarão a ocorrer sem considerar tudo e todos?
Até quando continuarão passando por cima das leis ou, quando isso não for possível, continuarão solicitando nossos legisladores a criarem novas leis mais adequadas ao empreendimento?
Até quando tentarão intimidar fiscais, ou continuarão recomendando que os inconvenientes sejam transferidos ou promovidos para outras paragens?
Que a disseminação do conhecimento ambiental forme novos cidadãos comprometidos com a sustentabilidade das suas intervenções no planeta.
Que o dia 5 de junho seja simplesmente mais uma data comemorativa.
Que passe a ser um dia em que empresas e governos do mundo todo façam um balanço dos resultados positivos obtidos com as atividades de conservação, restauração e de desenvolvimento sustentável desenvolvidas no último ano e, assim, comemorem os seus resultados.
Que nesta mesma data, sejam apresentados os novos desafios e metas para o próximo período.
Assim poderemos todos verificar se estamos verdadeiramente caminhando para dias melhores ou, infelizmente, trabalhando duro para apressarmos o nosso próprio fim.
Até a próxima. Ézio Eustáquio Ferreira

