Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente

6

de
julho

O desafio do crescimento.

A análise da notícia é um exercício que jamais deveria deixar de ser praticado por todos os cidadãos do planeta.  Sem esta análise mais aprofundada as notícias perdem muito da sua substância. Muitas vezes, a mensagem verdadeira não pode ser percebida através da simples decodificação da linguagem escrita. É a notícia por detrás da notícia.
 Neste sentido, vamos desenvolver um pouco sobre um assunto recorrente nos noticiários nesses tempos de generalizada turbulência econômica: a necessidade de crescimento econômico das nações.
 Crescer, crescer, crescer. Mas o que é esse tal de crescimento mundial?
 Talvez um Campeonato Mundial do Crescimento esteja em curso. Podem pensar alguns. Ou será que as nações estão lutando pelo seu crescimento com vistas a concorrerem a assentos definitivos em algum organismo de controle internacional?
 Simplificando os porquês, podemos dizer que as nações precisam crescer economicamente para suprir as necessidades de sua igualmente crescente população.
  Com mais pessoas, aumenta a demanda por mais bens. Mais pessoas também demandam mais vagas nos estabelecimentos de educação e de saúde. E agora, o aspecto mais delicado desta situação: Mais pessoas demandam mais oportunidades de trabalho.
 E já que esta obrigação de crescer é um reflexo do crescimento populacional-crescimento este sem nenhum controle efetivo-, as nações estão preparando sua infraestrutura para os efeitos inerentes do aumento da pressão humana.
 As cidades precisam sofrer várias adaptações. Suas vias precisam estar preparadas para receber mais veículos, os sistemas de abastecimento de água e coleta de esgoto precisarão ter suas capacidades avaliadas e suas redes precisarão alcançar regiões cada vez mais distantes dos centros urbanos. Novos estabelecimentos comerciais e industriais demandarão mais investimentos em geração e distribuição de energia.
 E isso resultará em maior pressão sobre os recursos naturais, a saber, combustível, água e minerais.
 E é neste momento que nossa consciência ambiental entra em ação.
 Como não podemos frear o crescimento populacional mundial, podemos atuar na diminuição dos seus efeitos negativos sobre a vida na Terra.
 As políticas públicas deveriam dedicar capítulo especial para o desenvolvimento e o apoio a iniciativas que buscam o reuso e a reciclagem dos materiais. A atividade dos catadores autônomos e suas cooperativas, além das empresas que processam os materiais recolhidos deveriam receber incentivos oficiais uma vez que garantem matéria-prima alternativa para as indústrias.
 Além de reduzir os impactos sobre o meio ambiente natural causados pela extração mineral, a utilização de materiais reprocessados reduz o consumo de energia no processo produtivo.
 O reuso e a reciclagem dos resíduos também reduz a necessidade da sua destinação para aterros sanitários.
 A construção de equipamentos que utilizam a energia solar deveria receber incentivos fiscais para baratear seus custos e permitir o acesso de maior parcela da população. Com menores preços a demanda atual e também a demanda futura tenderiam a migrar para esta tecnologia limpa.
 O maior desafio é provocar o convencimento dos nossos legisladores e governantes para a necessidade urgente de criar e implementar mecanismos que incentivem e regulem atividades que garantam o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, reduzam os impactos sobre o meio ambiente. Isso é desenvolvimento sustentável. Esta é a nossa utopia.
 Até a próxima. Ézio Ferreira

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